segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Resilience


Então!

"I've paid my dues
Time after time
I've done my sentence But committed no crime
And bad mistakes I've made a few I've had my share of sand kicked in my face
But I've come through"

Resiliência:
Do latim 'resilientia'
1 Fís. Propriedade de um material retornar à forma ou posição original depois de cessar a tensão incidente sobre o mesmo, determinada pela quantidade de energia devolvida após a deformação elástica, ger. medida em percentual da energia recuperada que fornece informações sobre a elasticidade do material.
2 P.ext. Ecol. Capacidade de um ecossistema retornar à condição original de equilíbrio após suportar alterações ou perturbações ambientais.
3 Fig. Habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas.

É mais ou menos isso... Após 1 longo mês debruçado sobre os conceito de Cultura / Cultura Popular / Folclore / Folkcomunicação... Sentindo a lâmina fria do prazo que se finda aproximar-se do meu pescoço... Enfim, entreguei meu primeiro capítulo da Dissertação de Mestrado. Apesar de todas as dificuldades e de todo o sofrimento envolvido nesse processo, acredito ter realizado um bom trabalho. Agradeço de coração aos amigos que se envolveram junto comigo nesse processo e que de uma forma ou de outra também são responsáveis por esta conquista. Agora é esperar a próxima etapa. Banca de Qualificação dia 15/12. Lá vamos nós!
"Mestrado é fábrica de fazer doido!"

"We are the champions my friends
And we'll keep on fighting till the end
We are the champions
We are the champions
No time for losers 'Cause we are the champions of the world"

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Another Cold Day


Então!

Era o sol que brilhava intenso. Eram as flores nos campos. Eram as crianças brincando. Eram os casais e seus sorvetes. Eram parques e avenidas... Carros, motos e bicicletas. Pipas coloridas voando ao sabor do vento. Eram cachorros, gatos e pássaros. E tinha o mar e as famílias a se banhar. E tinha a música. E eram amigos em mesas de bar. Estudantes e suas fardas e cadernos e livros. Era a farra, a algazarra. Executivos em ternos alinhados. O cafezinho no bar da esquina, acompanhado de alguma iguaria de procedência duvidosa. Mas, de fato, o que isso importava? Era o sabor e o cheiro da fritura. E tinha o outro lado da moeda.

"Frozen in the place I hide
Not afraid to paint my sky with
Some who say I've lost my mind
Brother try and hope to find"


E levantou-se completamente sem vontade. O corpo tremia. E sentia frio. Vestiu-se. Calça jeans, camiseta, uma jaqueta grossa, gorro e cachecol. Ainda sentia frio. E olhou pela janela. E viu a neve. E teve vontade de não sair. Preparou um chocolate quente. Mas o que aquece o corpo não alcança a alma. Sentou-se com seu jornal que comprara a mais de um mês. Lia todos os dias as mesmas notícias. Mas não eram as notícias, era o hábito. Tomou coragem. Respirou fundo. Levantou-se e saiu. Sentia o vento gelado corta-lhe a face. E as pessoas nas ruas, vestidas em seus trajes de verão, olhavam com estranheza aquele figurino. Na banca de revistas, os jornais noticiavam violência, mortes e corrupção. Nem se deu conta. Nos sinais, crianças faziam malabarismos, vendiam doces, limpavam para-bisas. Nas esquinas, as mesmas crianças cheiravam cola e vendia o corpo em plena luz do dia. Nem se deu conta. Olhava para o céu e se perguntava se ainda ia chover. Comprou uma garrafa de conhaque barato e retornou para casa. Ligou a TV, acendeu a lareia e ficou a contemplar as chamas que tremulavam. Ainda sentia frio. Mas o que aquece o corpo não alcança a alma.

"You were always so far away
I know that pain so don't you run away
Like you used to do
"

terça-feira, 17 de novembro de 2009

It's all about sadness...


Então!

Eu nem deveria estar escrevendo aqui. Deveria estar discutindo o conceito de cultura, cultura popular, folclore, folkcomunicação... Lendo TCC's... Assistindo vídeos de conclusão... Dissertando... Lendo... Etc... Mas, bem. Resolvi passar aqui rapidinho. Talvez para não dizer absolutamente nada de aproveitável. Talvez para um tanto menos do que isso. Talvez apenas para em silêncio sentar-me em um canto que é só meu. Talvez para, não dizendo, dizer um tanto de coisas que não encontro as palavras fazê-lo. Um post regado de incertezas, que incertos são os caminhos em que transito. Mergulho em devaneios e me perco a navergar pelos revoltos mares do meu pensamento. Luto contra o tempo, uma vez que ainda não aprendi a usá-lo a meu favor. Luto contra a insônia, sem saber exatamente o que me tira o sono. Dedilho angustias em acordes rotos. Nesse turbilhão de palavras sem sentido me esforço para descarregar algum sentimento.

"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!"


Entre tantas mensagens, entre tantas palavras, num emaranhado de imagens e sons que não fazem sentido algum. É apenas a incompreensível tradução da complexa estrutura do meu ser. Não há plausível interpretação. E na falta do que dizer. Apenas digo... Reservo-me o direito dos meus devaneios sem sentido. São sonhos antigos. Projetos esquecidos em uma gaveta qualquer. É tudo aquilo que se quer e não se pode obter. É tudo aquilo que se almeja ser. É apenas o eterno não saber. É o texto inacabado. É o plano frustrado. É a fala. É o verborrágico que se cala. É a presença.É a falta. São as informações. São turbilhões. É a falta da fala que faz projetar sonhos de estar presente, num futuro não tão distante, para acabar o quase começado, interrompido num tropeço, iniciar o recomeço, reescrevendo um novo fim. É assim. É assado. É rascunho. É esboço. Nunca arte final. É a corda no pescoço. É o último esforço. É o bem e é o mal.

"Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"

sábado, 31 de outubro de 2009

Tricks or Treats


Então!

"Whatsoever I've feared has come to life
And Whatsoever I've fought off became my life
Just when everyday seemed to greet me with a smile
Sunspots have faded
Now I'm doing time
Now I'm doing time
Cause I fell on black days"


Vai-se a noite, vem o dia. Um dia como qualquer outro. Seria, não fosse o pesado fardo do tempo, que se via obrigado a carregar. Seria, não fossem os cabelos grisalhos que insistiam em aumentar cada vez que ele fitava o próprio reflexo no espelho. Eram tantas histórias acumuladas naquele semblante cansado. Algumas boas lembranças, outras nem tanto. E nem fazia tanto tempo assim, nadava tranquilo e protegido no ventre da mãe. Era o seio materno. Eram as primeiras palavras. Entre quedas de bicicleta e partidas de videogame, era a inocência da infância. Eram as espinhas na cara. Os primeiros fios da barba. Eram sonhos. Eram as efêmeras e avassaladoras paixões. Eram os amores platônicos.

"Someone swears his true love
Until the end of time
Another runs away
Separate or united?
Healthy or insane?
And be yourself is all that you can do"


Foram-se os tempos de escola. Foram-se os anos de faculdade. Aquele que rebelde sentava-se de um lado, esteve do outro a encarar a rebeldia dos que tinham menos idade. Esteve na linha de produção, a manipular coloridas imagens que seriam exibidas na caixinha de pandora dos tempos modernos. Esteve a dedilhar desejos e angústias, amores e desamores, alegrias e raivas em seu velho violão. Eram tristes canções e poemas inacabados. Esteve no cartório. Esteve no altar. Esteve sozinho. Era a solidão. Era o seu cachorro chamado Kurt. São os sinceros amigos. E foi o tempo que passou. E era só mais um "halloween". Sem doces ou travessuras. Eram fantasias. E já não reconhecia a si mesmo por trás de tantas máscaras. Eram tantos papéis. Eram tantos personagens. Era o palco da vida. Era, ainda, a esperança de um futuro melhor.


"Eis o que sou...
Um tanto médico, outro tanto monstro
E se por acaso santo me revelo
Há um lado demônio que não mostro


Sou porto seguro e maremoto.
Tempestade e calmaria.
Medo e coragem
Sou tristeza e alegria.

Sou grito e silêncio
Calor em noites de inverno.
Chuva em dias de verão.
Transito entre céu e inferno.

Quem sou?
O que mais eu seria?
Dois lados de uma mesma moeda
Uma imensa dicotomia?

Quem sou?
Legião, porque nós somos muitos." [Dicotomia - Roberto Pazos]

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Train of Consequences


Então!

"Dont remember where I was
I realized life was a game
The more seriously I took things
The harder the rules became"


Vestiu-se de luto. Pois cansado de lutar contra a vida, esperava a hora da partida. Já não tinha mais o gosto salgado das lágrimas que antes lhe escorriam pela face. Por trás das lentes escuras dos seus óculos de sol, escondia o olhar desoladamente perdido. No horizonte distante, era a paisagem devastada, tal qual sua alma apoderecida. O deserto que se projetava diante daqueles olhos tristes era o mesmo que se escondia atrás deles. Pensou mais uma vez na partida. Esperava o apito do trem que deveria surgir em instantes, soltando fumaça em seu arrastar-se ruidoso. Não trazia consigo malas. Sua bagagem eram suas lembranças. Ali, tinha tudo de que precisava para sua jornada. Tinha saudades para se vestir. Tinha amores para protegê-lo do frio, quando cansado, repousasse o corpo moído sobre o velho colchão de sonhos que trazia consigo. E tinha ainda algumas amizades para alimentar-se quando a fome apertasse. Trazia consigo algumas dores, talvez servissem para protegê-lo de dores futuras. De sobrepeso, tinha sua coleção de velhos rancores. Não tinha sido capaz de abandoná-los. Sabe-se lá porque tinha tanto apego por essas coisas pequenas.

"A tout le monde
A tout les amis
Je vous aime
Je dois partir
This are the last words
I'll ever speak
And they'll set me free"


Imaginou ter ouvido o esperado apito. Ainda distante. Estava atrasado. Começou a assoviar desafinado alguma triste canção irreconhecível. Estalava os dedos freneticamente. Pensou ter visto a fumaça do trem. Mas poderiam ser somente nuvens. Batia o pé. Paciência nunca fora uma de suas virtudes. Consultou o relógio. Estava atrasado. Olhou por sobre os ombros. Não era saudade o que tinha de tudo que deixava para trás. Mas não é fácil deixar os velhos costumes assim. Tornou a olhar para o relógio. Tinha a impressão de que os ponteiros não estavam saindo do lugar. Aproximou-o do ouvido. Embora lhe parecesse lento, podia ouvir o tic-tac. Afundou-se em pensamentos. Lembrava-se dos olhos curiosos, dos ouvidos atentos, dos rostos sedentos... O sol se punha. O trem não veio. Lembrou-se dos versos de um velha canção. "I'd Like to fly. But my wings have been so denied." Se pudesse voar, não precisaria esperar o trem. Sentou-se. Esperaria quanto fosse necessário. Um hora sua condução haveria de passar por ali.

"The train of consequences
There ain't no turning back"

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Insomnia


Então!

Era apenas mais uma noite de insônia. E dedilhava acordes tristes em seu violão. Fora isso era o silêncio. Da sala podia ver a cama vazia. Eram lembranças que bailavam em sua cabeça como fantasmas em dia de festa. Eram perguntas sem resposta. Era saudade. Mais uma vez deitou-se, na esperança de pegar no sono. Já era tarde. E revirava-se na cama fria, suava... Era o calor, só podia ser o calor. Ligou o ventilador... Nada. Levantou-se. Talvez um banho quente ajudadesse... Nada. Ficou a contemplar o teto do quarto. Horas e horas ali, deitado a olhar para o teto... Nada. esticou-se para pegar um livro na mesinha ao lado da cama. Era uma história que havia deixado pela metade. Mas estava inquieto. Leu algumas páginas e logo a paciência se esgotou. Não que a história fosse ruim, pelo contrário, era bastante interessante. Mas estava impaciente. Era a insônia. Levantou-se. Bebeu um copo de água... Revirou a gaveta dos remédios. Os tais comprimidos deveriam estar ali... Nada. Sentou-se diante do computador na esperança de encontrar alguém com quem conversar... Nada. Abriu então o velho editor de textos. O cursor piscava à sua frente. Passou alguns minutos ali, hipnotizado... Queria escrever alguma coisa... Precisava externar sua irritação... Digitou, apagou, digitou, apagou... E no fim das contas... Nada. Decidiu esperar o sol aparecer para lhe fazer companhia... Naquele dia... O sol não apareceu.
Era apenas mais uma noite de insônia.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

To Postpone


Então!

"My child arrived just the other day;
Came to the world in the usually way
But there were planes to catch and bills to pay.
He learned to walk while I was away."


Os dias passam lentos. Os ponteiros do relógio se arrastam sem muita pressa. E que pressa haveriam de ter?! São mensageiros do Tempo. Senhor de todas as coisas. Aquele que segue sempre em frente sem olhar para o que já passou. A passos lentos, consome a tudo e a todos. O Tempo e sua marcha infindável. Foi-se o negro dos cabelos, foi-se o vigor da juventude, foi-se a intempestividade da pouca idade. Foi-se uma geração, foram-se verões e primaveras. E o Tempo continua seguindo seu curso. Abrindo caminhos. Devorando sonhos. Hora afogando mágoas, hora tranzendo-as à tona. Hora fechando cicatrizes, hora abrindo feridas. No seu rastro apenas lembranças. Memórias de momentos idos, esperanças vãs de momentos futuros. E os dias passsam lentos para os que esperam...

"I've long since retired, my son's moved away.
I called him up just the other day.
"I'd like to see you, if you dont mind."
He said, "I'd love to, Dad, if I could find the time."


E os dias voam para os que muito tem para fazer. E é o Tempo curto. São os ponteiros apressados. E porque haveriam de deter-se para lhes esperar?! São mensageiros do Tempo... E o Tempo... O Tempo não sabe o que é esperar... O Tempo apenas passa...

"And the cat's in the cradle and the silver spoon,
Little boy blue and the man on the moon.
When you comin' home ?
Son, I don't know when.
We'll get together then.
You know we'll have a good time then." [Cats in the Cradle -Harry Chapin
]